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| Arte conceitual do castelo da Disney de Paris |
Você já ouviu falar em Imagineering? É um termo do Inglês que combina as palavras imagination (imaginação) e engineering (engenharia). Ele é usado hoje em dia principalmente pela Disney para descrever todo o seu departamento de design e desenvolvimento na área de entretenimento e parques temáticos. Ao contrário do que se acredita, o termo não foi criado por Walt Disney ou alguém da sua empresa, e já existia desde os anos 40. Mas você conhece alguma companhia que combinar melhor com essa expressão?
Imagineering pode ser encarado como uma forma de storytelling, ou seja, uma forma de contar histórias, criar contextos, envolver alguém. A engenharia entra com toda a parte técnica, física, "realista", enquanto que a imaginação se encarrega de trazer a criatividade, originalidade e a "fantasia" para o processo de criação. Isso tudo vai ao encontro de o que representa o Design de Experiência, e na minha opinião, a própria Disney é um dos grandes exemplos de Design de Experiência bem sucedidos.
O Design de Experiência não se contenta em desenvolver apenas um simples produto, como um site, mas sim se preocupa com todo o contexto que possa envolver o usuário. Isso acontece da mesma forma com o Imagineering. Os imagineers não querem construir apenas montanhas-russas e rodas-gigantes simples. Para isso o mundo está cheio de parques de diversões itinerantes ou mesmo fixos a cada esquina. O que eles criam são verdadeiros mundos, onde as palavras-chave são imersão, entretenimento, inspiração e, por que não, educação.
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| Main Street do Magic Kingdom, em Orlando, Flórida. Ao fundo, o castelo marca o centro do parque e de onde se pode ir para todas as demais áreas temáticas. Fonte |
Vamos tomar como exemplo a Main Street. Essa área temática, a primeira que o visitante conhece em parques da Disney mais tradicionais, como na Disneylândia (Califórnia) e no Magic Kingdom (Flórida), representa uma cidade norte-americana do início do século XX, da época que Walt Disney era um garoto. Mas para criar um contexto realista, os imagineers foram além de simplesmente construir fachadas e uma rua antiga. Há por todos os cantos da rua o aroma de pães e doces assando, lembrando os cafés e confeitarias da época; os visitantes podem ouvir (com certa dificuldade) sons de pessoas conversando e caminhando nos andares de cima das casas (nos de baixo é que estão as lojas e restaurantes da rua); há o som de carros antigos e carroças puxadas por cavalos atravessando a rua; as casas foram construídas com uma perspectiva infantil, com os andares superiores levemente menores que os térreos, para parecer a visão da rua por uma criança; entre outras características.
Porém, engana-se quem acha que a Main Street é simplesmente uma homenagem à infância de Walt. Se você prestar a atenção nos mapas, ela sempre está na direção Entrada do Parque -> Castelo, o que faz algumas pessoas acharem que o castelo é a verdadeira entrada, ignorando a rua. A Main Street, funcionalmente falando, serve não apenas como uma simples rua de entrada, mas sim como uma ponte, e o Castelo, ao final, representa todas as fantasias criadas por Walt e sua empresa. E é a presença de um castelo de contos-de-fadas ao final de uma rua do início do século XX que faz com que os visitantes caminhem até o final dela, para conhecer o mundo de sonhos criado por Walt.
Mas isso não é tudo! Além de ser (1) uma homenagem a Walt, (2) uma ponte do mundo real para o de faz-de-conta, a Main Street serve como uma grande sequência de créditos, da qual o resto do parque, onde estão os brinquedos, shows e personagens, é o filme em si. Nas janelas de algumas casas da rua estão os nomes de várias pessoas que ajudaram Walt a construir sua empresa e o próprio parque. Os nomes vão passando conforme o visitante segue pela rua, se encerrando quando ele atinge o Castelo. Pronto, passados os créditos de abertura, o "filme" está pronto para começar.
Viu só? Tudo isso em apenas uma área temática, a mais simples de todas, pois não tem brinquedos ou shows, apenas lojas e restaurantes, todos muito bem tematizados, claro. Eu quis aqui mostrar um pouco de como o processo de criação dos imagineers vai muito além de simplesmente construir uma área de acesso ao resto do parque. Tudo ali, até os nomes gravados nas janelas, conta uma história. E é assim que, na minha opinião, o Design de Experiência deve ser encarado: tudo, absolutamente tudo ali deve servir para contar uma história, criar realmente uma experiência.
O que você acha sobre isso? Já visitou algum parque da Disney ou outro parque temático de alta qualidade e encontrou algum significado nas coisas que estavam lá? Se você conhece o Design de Experiência, já conhecia o processo de imagineering? Deixe sua opinião nos comentários abaixo. ;)


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