No post de hoje vou escrever um pouco sobre o conceito por trás do parque Disneyland, na Califórnia, e suas réplicas ao redor do mundo. Contarei um pouco da história, o porque de suas áreas temáticas e sua estrutura como parque.
Em 1955 Walt Disney inaugurou aquele que era o seu maior sonho até então e motivo de orgulho para o resto de sua vida - o parque Disneyland, na pequena cidade californiana de Anaheim, próxima a Los Angeles. Com um discurso cheio de poesia, ele descreveu o parque como "yourland" (a sua terra), oferecendo-o aos visitantes como um lugar onde poderiam reviver a infância, conhecer personagens famosos, passar por aventuras memoráveis, explorar a história americana e experimentar um pouquinho do que o futuro reserva. Reza a lenda que Walt teve a ideia de seu parque quando levou as filhas a um playground e percebeu que enquanto as crianças brincavam, os pais apenas ficavam sentados, conversando ou se entediando. À partir disso, ele resolveu usar toda a sua empresa, já famosa por criar histórias mágicas e cenários impressionantes para os filmes, para então desenvolver um lugar onde pais e filhos pudessem se divertir juntos, mergulhando nos mundos criados nos livros, filmes e contos-de-fada.
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| Um dos primeiros layouts do parque de Walt Disney. |
Alguns anos separaram o momento que a ideia surgiu da inauguração do parque, e na fase de desenvolvimento, o lugar teve uns quantos layouts diferentes, no começo como um quarteirão próximo aos estúdios da empresa, ainda sem áreas temáticas, mas já com muitas coisas que permaneceriam até o layout final, como passeios de barco, uma ilha dedicada à natureza e o velho oeste. Mas com a compra de um terreno maior em Anaheim, o formato do parque foi alterado, ganhando um contorno feito pelo trem Disneyland Railroad. Walt sempre foi apaixonado por trens, tinha um até no quintal de sua casa, e por isso quis cercar seu parque com um para que os visitantes pudessem dar uma volta de maria-fumaça.
Quando o porque foi inaugurado, ele tinha cinco áreas temáticas: Main Street USA, Adventureland, Frontierland, Fantasyland e Tomorrowland. Uma inovação na estrutura do lugar foi a presença da Main Street como uma rua vitoriana que levava os visitantes da entrada do parque até o seu centro, de onde poderiam acessar as outras áreas. Essa rua, como já escrevi antes, funciona como uma ponte entre o mundo real e as fantasias de Walt Disney; como uma homenagem à infância de Walt; e como uma sequência de créditos antes do verdadeiro filme (as demais áreas) começar. Isso foi novidade por que ao invés de receber os visitantes de uma forma que de cara mostra todo o resto do parque, como a maioria faz, a rua "esconde" o que a Disneyland tem a oferecer, aparecendo tudo apenas no final.
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| Mapa da Disneyland de 1956 |
Há um certo mistério do porque das quatro "terras" posteriores à Main Street. Alguns dizem serem baseadas em gêneros literários que Walt lia quando criança - Aventura, História Americana, Fantasia/Contos-de-Fada e Ficção Científica. Porém há outras explicações.
Fantasyland é bem óbvia quanto ao seu objetivo: ser a materialização dos famosos filmes de contos de fadas já produzidos pela empresa na época. Foi uma terra projetada para crianças e também para os adultos reviverem a infância, com carrossel, xícaras, Dumbo, trenzinho e as famosas dark rides, que são passeios em ambientes fechados, com cenários e bonecos que contam alguma história. Até hoje a Fantasyland conta com este conceito, apenas com algumas evoluções nos quesitos de tecnologias empregadas, arquitetura e paisagismo.
Adventureland foi baseada na paixão de Walt pela natureza. Durante a construção do parque, Walt produziu uma série de documentários sobre animais meio que para introduzir o conceito dessa área. Ela é ambientada em uma selva tropical, onde a única atração no ano da inauguração, o Jungle Cruise, leva os visitantes a um passeio de barco pela floresta, com direito a animais robóticos aparecendo por todos os lados. Com o passar dos anos, a área foi ganhando novas atrações, como uma casa na árvore e uma aventura num templo com Indiana Jones. Aos poucos, Adventureland foi deixando de lado o conceito realista de natureza, passando a focar cada vez mais em culturas exóticas e aventuras "cliché" na selva.
Frontierland se baseia na história americana e na literatura tradicional americana, como Tom Sawyer. Há vários elementos do velho oeste, como casas de madeira, salloon, cowboys, minas de ouro, desertos e riverboats. Há uma versão "americana" do Jungle Cruise, onde o riverboat leva os visitantes a um passeio de barco pelas maravilhas da natureza do interior dos EUA. Até hoje essa área, e suas réplicas ao redor do mundo, permanece com o conceito mais realista entre as lands do parque, sendo um pouco distante das ideias imaginárias que compõem as demais.
Por fim, a Tomorrowland não se baseava em ficção científica, quebrando a teoria dos gêneros literários, mas sim num futurismo realista. Walt gostava muito das feiras e exposições internacionais de ciência e tecnologia, e ele em si era um grande visionário, tendo diversas ideias para o futuro. Com a Tomorrowland, ele queria criar uma feira de tecnologia fixa, convidando empresas a exporem seus avanços científicos para o seu público. Por isso, o início da história da Tomorrowland é meio sem graça, já que era uma coleção de pavilhões onde empresas mostravam suas tecnologias. Por isso essa terra foi a que mais passou por renovações ao longo das décadas, para sempre estar a frente do presente e encontrar o conceito perfeito para uma terra futurista. Nos anos 70/80 ela foi focada no espaço, com destaque para a inserção de elementos dos filmes Star Wars, o aparecimento de foguetes voadores e a famosa Space Mountain, montanha-russa fechada que se passa no espaço.
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| Mapa da Disneyland de 2011 |
Nos anos 90 foi inaugurada a Disneyland de Paris, que trazia um novo conceito para a sua área futurista: com o nome de Discoveryland, a área não se preocupava em imaginar o futuro, mas sim homenagear visionários do passado e como eles enxergavam o futuro. Entre esses visionários então Da Vinci (máquinas voadoras), H. G. Wells ("Guerra dos Mundos", "Máquina do Tempo"), e especialmente Júlio Verne ("20000 Léguas Submarinas", "Viagem ao Centro da Terra", "Volta ao Mundo em 80 Dias" e "Da Terra à Lua"). Agora sim a terra se baseava em ficção científica, se enchendo de atrações cheias de imaginação e fantasias futuristas, como foguetes, submarinos avançados, colonizações espaciais, etc. Com o sucesso dessa área, a Tomorrowland californiana foi convertida para um tema próximo a esse, recebendo novas cores (de apenas branco e prata para dourado e cores "antigas") e novas atrações baseadas nas de Paris. Até hoje a área californiana está assim, ainda tentando encontrar a sua visão perfeita de futuro.
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| Mapa do Magic Kingdom em 2013 |
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| Disneyland de Tóquio |
Nos anos 70 foi inaugurado o Magic Kingdom, em Orlando, Flórida, que nasceu como uma versão maior da Disneyland. Com as mesmas áreas temáticas e um terreno maior, o novo parque passou a contar com atrações e áreas de passeio maiores e mais espaçosas, agradando não só os visitantes americanos, mas também atraindo cada vez mais visitantes de fora. Ainda nessa década foi inaugurada a Disneyland de Tóquio, que nada mais foi que uma colagem do que os sócios japoneses achavam de melhor entre os dois parques americanos originais, sem se preocupar com transições entre as áreas ou originalidade de novas atrações.
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| Disneyland de Paris |
Com a inauguração do parque parisiense, em 1992, os imagineers puderam criar uma nova versão do parque original californiano: uma versão atualizada, maior, adaptada ao público europeu e tido até hoje como a mais bela versão de uma Disneyland em todo o mundo, superando o parque original. A Main Street recebeu ainda mais elementos vitorianos e americanos, para mostrar bem essa época ao povo europeu; a Frontierland abandonou seu conceito histórico realista, passando a ter um tema de velho oeste mais próximo aos filmes de bang bang, com direito a lendas que envolvem toda a área, maldições e personagens próprios; a Adventureland passou a se basear ainda mais na literatura de aventura, como "A Ilha do Tesouro" e "A Família Robinson", e se tornou ainda mais aventureira, com trilhas secretas, pontes, ilhas, cavernas subterrâneas e vários espaços a serem explorados; a Fantasyland se tornou ainda mais mágica, uma vez que os designers criaram uma Europa imaginária, com uma arquitetura e paisagismo saídos dos livros infantis clássicos; e a Discoveryland, como já disse antes, resolveu o problema da Tomorrowland, focando num futuro fictício e visto pelos gênios do passado.
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| Disneyland de Hong Kong |
Em 2005 foi inaugurado o parque de Hong Kong, que pela primeira vez, eliminou a Frontierland do seu esquema de áreas, mantendo as demais. Inclusive, Tomorrowland foi mantida com o mesmo nome, porém se baseando desta vez em um futurismo espacial infantil, de desenho animado, com personagens como Buzz Lightyear e Stitch. Com os anos, o parque ganhou 3 novas sub-áreas, uma para Toy Story, uma toda mística e sobrenatural, e uma de velho oeste - versão reduzida de uma Frontierland de verdade.
Hoje temos a construção do parque de Xangai, que à princípio também não terá Frontierland e possuirá uma Tomorrowland semelhante à de Anaheim dos anos 70/80 e a de Tóquio até hoje (viagens espaciais realistas).
Essa foi a minha descrição das áreas temáticas dos parques do tipo Disneyland. A Disney possui vários outros tipos de parques, porém eles seguem outros estilos, estruturas e histórias. Quem sabe numa outra oportunidade eu escreva sobre eles. O que você achou disso tudo? Já visitou alguns desses parques que mencionei no post? O que achou do design deles?








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